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Nem Toda Dor Pede Cura. Algumas São Acordos.

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O corpo sempre sabe onde tudo começou. Problemas não chegam como inimigos. Chegam como sapatos baratos de feira: bonitos, disponíveis, com cara de solução imediata. Preço bom demais para pensar duas vezes. No primeiro passo, apertam. O corpo avisa — sempre avisa. Mas aprendemos cedo a chamar aviso de exagero, sensibilidade, fraqueza. Insistimos. Porque parar assusta mais do que doer. Então começa o pacto silencioso. A gente aguenta. O corpo compensa. O pé cria calo onde criamos justificativa. Um osso se desajusta porque nos recusamos a admitir o erro. O tornozelo aceita o que não devia. O joelho sustenta decisões que não são dele. O quadril carrega histórias antigas, mal resolvidas. A coluna vira arquivo vivo de tudo o que foi empurrado para depois. Nada disso é castigo. É inteligência biológica tentando manter-nos em movimento mesmo quando o caminho já não é verdadeiro. Com o tempo, a dor muda de lugar. Isso não é melhora. É anestesia bem-sucedida. Adaptamo-nos ao erro. E passamos a c...

O Tempo é Implacável em Sua Sabedoria

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Existem problemas que não chegam para destruir. Chegam para alinhar. São pequenos ajustes, quase invisíveis. Como uma corda de violão fora do tom. Nada quebra. Nada dói de imediato. Só… soa estranho. A vida começa a perder harmonia, mas ainda dá pra tocar. E é exatamente aí que a gente falha. Quando o problema está dentro da nossa alçada, a gente ignora. Não por maldade. Por soberba silenciosa. Temos coisas “mais importantes”. Prazos. Contas. Gente esperando. E aquele ajuste fino parece banal demais pra parar tudo. “Depois eu vejo isso.” Só que problema ignorado não some. Ele trabalha. Em silêncio. Como ferrugem que não faz barulho. Enquanto isso, outras áreas começam a sentir. O corpo reclama. O humor muda. As relações ficam ásperas. O sono falha. Mas a gente ainda chama isso de fase. Aí entramos na fase do remendo rápido. Um remédio aqui. Uma distração ali. Qualquer coisa que devolva funcionalidade sem exigir responsabilidade. Não dá pra parar agora. Nunca dá. Quando já não é só um p...