Nem Toda Dor Pede Cura. Algumas São Acordos.
O corpo sempre sabe onde tudo começou. Problemas não chegam como inimigos. Chegam como sapatos baratos de feira: bonitos, disponíveis, com cara de solução imediata. Preço bom demais para pensar duas vezes. No primeiro passo, apertam. O corpo avisa — sempre avisa. Mas aprendemos cedo a chamar aviso de exagero, sensibilidade, fraqueza. Insistimos. Porque parar assusta mais do que doer. Então começa o pacto silencioso. A gente aguenta. O corpo compensa. O pé cria calo onde criamos justificativa. Um osso se desajusta porque nos recusamos a admitir o erro. O tornozelo aceita o que não devia. O joelho sustenta decisões que não são dele. O quadril carrega histórias antigas, mal resolvidas. A coluna vira arquivo vivo de tudo o que foi empurrado para depois. Nada disso é castigo. É inteligência biológica tentando manter-nos em movimento mesmo quando o caminho já não é verdadeiro. Com o tempo, a dor muda de lugar. Isso não é melhora. É anestesia bem-sucedida. Adaptamo-nos ao erro. E passamos a c...