O Tempo é Implacável em Sua Sabedoria


Existem problemas que não chegam para destruir.

Chegam para alinhar.


São pequenos ajustes, quase invisíveis.

Como uma corda de violão fora do tom.

Nada quebra. Nada dói de imediato.

Só… soa estranho.

A vida começa a perder harmonia, mas ainda dá pra tocar.


E é exatamente aí que a gente falha.


Quando o problema está dentro da nossa alçada, a gente ignora.

Não por maldade.

Por soberba silenciosa.


Temos coisas “mais importantes”.

Prazos. Contas. Gente esperando.

E aquele ajuste fino parece banal demais pra parar tudo.


“Depois eu vejo isso.”


Só que problema ignorado não some.

Ele trabalha.

Em silêncio.

Como ferrugem que não faz barulho.


Enquanto isso, outras áreas começam a sentir.

O corpo reclama.

O humor muda.

As relações ficam ásperas.

O sono falha.

Mas a gente ainda chama isso de fase.


Aí entramos na fase do remendo rápido.

Um remédio aqui.

Uma distração ali.

Qualquer coisa que devolva funcionalidade sem exigir responsabilidade.


Não dá pra parar agora.

Nunca dá.


Quando já não é só um ponto fora do tom, começamos a buscar explicações.

Diagnósticos.

Rótulos.

Culpados.

Mais soluções, sempre externas.


Agora já não é só uma área afetada.

É o corpo, o trabalho, o relacionamento, o dinheiro, a cabeça.

Tudo começa a travar.


E mesmo assim… ainda não paramos.


Partimos então para as terapias, mas não para nos entregar.

Vamos com pressa.

Querendo resultado sem pausa.

Cura sem escuta.

Alívio sem mudança.


Nada funciona.

Porque agora não existe mais espaço interno para funcionar.


Quando a coisa aperta de vez, espiritualizamos.

Não por fé profunda, mas por desespero.

Vale tudo: tarô, pastor, padre, benzedeira, macumbeiro.

Qualquer um que diga que isso não é responsabilidade nossa.


Enquanto isso, a casa vira um depósito de “depois eu resolvo”.

Depois eu converso.

Depois eu cuido.

Depois eu vejo.

Depois eu mudo.


Até que chega o momento em que não existe mais depois.


Aí vem o inevitável.

Nada mais está sob controle.

Nada mais está na nossa alçada.


O namoro acaba.

O casamento desmorona.

O emprego vai embora.

As amizades se dispersam.

O dinheiro some.

O crédito acaba.

O corpo cobra.

A vida trava.


E só então — só então — algo curioso acontece:

a vida começa a respirar de novo.


Não porque ficou fácil.

Mas porque o falso controle morreu.


E a gente recomeça.

Aos trancos.

Com perdas.

Com menos ilusões.


Recomeça como jamais quis.

Mas, talvez, como sempre precisou.


E se existe algum aprendizado nisso tudo, ele é simples e cruel:


Problema pequeno ignorado vira destino.

Ajuste fino adiado vira colapso.

O que não se escuta no silêncio, vem na destruição.


A vida não pede perfeição.

Ela pede manutenção.


E quase ninguém quer parar enquanto ainda dá tempo.



Acompanhe nosso canal no Whats

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Percepção Extra Sensorial

HERMES TRIMEGISTO E AS 7 LEIS HERMETICAS.

Simbolismo metafísico de problemas crônicos nos tornozelos