SEM RUÍDOS
Houve um período em que tudo parecia estar funcionando, ao menos na superfície. As coisas aconteciam, decisões eram tomadas, problemas surgiam e eram resolvidos antes que crescessem demais. Ainda assim, algo permanecia tenso, como se fosse necessário um esforço constante para manter esse equilíbrio. Não era algo fácil de apontar. Apenas se percebia um cansaço que não vinha do corpo, mas da tentativa contínua de antecipar o que poderia sair do controle. Em algum ponto, sem um evento marcante ou uma decisão consciente, isso começou a ser observado de outro jeito. Não como algo a ser corrigido, mas como um padrão silencioso. Havia uma tendência quase automática de imaginar cenários, prever riscos, criar respostas antes mesmo de saber se seriam necessárias. Curiosamente, quanto mais isso acontecia, mais espaço havia para que pequenos acontecimentos ganhassem peso desproporcional. Quando esse movimento foi notado, não surgiu a urgência de mudar. Houve apenas uma interrupção sutil. M...