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Mostrando postagens de fevereiro, 2026

SEM RUÍDOS

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  Houve um período em que tudo parecia estar funcionando, ao menos na superfície. As coisas aconteciam, decisões eram tomadas, problemas surgiam e eram resolvidos antes que crescessem demais. Ainda assim, algo permanecia tenso, como se fosse necessário um esforço constante para manter esse equilíbrio. Não era algo fácil de apontar. Apenas se percebia um cansaço que não vinha do corpo, mas da tentativa contínua de antecipar o que poderia sair do controle. Em algum ponto, sem um evento marcante ou uma decisão consciente, isso começou a ser observado de outro jeito. Não como algo a ser corrigido, mas como um padrão silencioso. Havia uma tendência quase automática de imaginar cenários, prever riscos, criar respostas antes mesmo de saber se seriam necessárias. Curiosamente, quanto mais isso acontecia, mais espaço havia para que pequenos acontecimentos ganhassem peso desproporcional. Quando esse movimento foi notado, não surgiu a urgência de mudar. Houve apenas uma interrupção sutil. M...

Fé - Ciência - Probabilidade - Sincronicidade

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  Existe um comportamento silencioso em curso. Pouco perceptível, quase elegante, mas profundamente limitante. Estamos sendo conduzidos a trocar o livre pensamento por identidade. E identidade, quando cristaliza, deixa de ser referência e passa a ser prisão. Hoje, o “certo” não é pensar, mas se posicionar: ser racional demais, espiritual demais, cético demais. Não por coerência interna, mas por pertencimento externo. O desejo de poder, validação e controle aprendeu a se vestir de filosofia de vida.   Meu ponto de vista é que vivemos entre quatro realidades ou universos paralelos que nunca foram inimigos entre si: fé, ciência, probabilidade e sincronicidade.  O problema começa quando escolhemos apenas um deles como verdade absoluta e exigimos que todo o resto da vida se submeta a essa lente.   A fé é um salto.  Não o salto infantil que terceiriza decisões e espera que algo externo resolva, mas o salto adulto que acontece quando não há garantias. Fé, nesse...

ENTRE

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  No início, não parecia nada. Não houve inscrição consciente, nem decisão solene, nem a sensação clara de estar começando algo. O que houve foi apenas a impressão de ter atravessado um limite invisível, como quando se entra em um lugar sem perceber a porta. As coisas começaram a se alinhar de um jeito difícil de explicar. Um encontro acontecia aqui, uma conversa surgia e não se prolongava, um silêncio se fazia presente sem causar incômodo. Não havia promessa alguma, ninguém dizendo o que fazer, nenhuma verdade nova à qual se agarrar. Ainda assim, algo sustentava. (alguns reconhecem onde isso começa) Com o tempo, começaram a surgir encontros silenciosos, não para pedir, nem para exigir, mas apenas para manter. Em outros momentos, apareciam orientações pontuais que não tentavam explicar a vida, apenas evitavam desvios óbvios. Aos poucos, encontros presenciais passaram a acontecer sem parecer eventos, sem clima de espetáculo ou expectativa elevada. Não eram intensos. Eram precisos. N...