ENTRE

 


No início, não parecia nada. Não houve inscrição consciente, nem decisão solene, nem a sensação clara de estar começando algo. O que houve foi apenas a impressão de ter atravessado um limite invisível, como quando se entra em um lugar sem perceber a porta. As coisas começaram a se alinhar de um jeito difícil de explicar. Um encontro acontecia aqui, uma conversa surgia e não se prolongava, um silêncio se fazia presente sem causar incômodo. Não havia promessa alguma, ninguém dizendo o que fazer, nenhuma verdade nova à qual se agarrar. Ainda assim, algo sustentava.


Com o tempo, começaram a surgir encontros silenciosos, não para pedir, nem para exigir, mas apenas para manter. Em outros momentos, apareciam orientações pontuais que não tentavam explicar a vida, apenas evitavam desvios óbvios. Aos poucos, encontros presenciais passaram a acontecer sem parecer eventos, sem clima de espetáculo ou expectativa elevada. Não eram intensos. Eram precisos. Ninguém tentava mudar ninguém, e talvez por isso algo começasse a se reorganizar.

Curiosamente, as decisões foram ficando mais simples. As emoções, menos ruidosas. O corpo, menos defensivo. Muitos ruídos se dissolviam antes mesmo de se transformarem em padrões. Não porque algo novo tivesse sido aprendido, mas porque algo antigo parou de ser ignorado. Só depois ficou claro que não se tratava de um grupo, nem de um método, nem de um caminho estruturado. Era um campo. E quem entrava nele não era conduzido, nem orientado passo a passo. Era sustentado enquanto, pouco a pouco, aprendia a sustentar a si mesmo.

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