SEM RUÍDOS

 

Houve um período em que tudo parecia estar funcionando, ao menos na superfície. As coisas aconteciam, decisões eram tomadas, problemas surgiam e eram resolvidos antes que crescessem demais. Ainda assim, algo permanecia tenso, como se fosse necessário um esforço constante para manter esse equilíbrio. Não era algo fácil de apontar. Apenas se percebia um cansaço que não vinha do corpo, mas da tentativa contínua de antecipar o que poderia sair do controle.


Em algum ponto, sem um evento marcante ou uma decisão consciente, isso começou a ser observado de outro jeito. Não como algo a ser corrigido, mas como um padrão silencioso. Havia uma tendência quase automática de imaginar cenários, prever riscos, criar respostas antes mesmo de saber se seriam necessárias. Curiosamente, quanto mais isso acontecia, mais espaço havia para que pequenos acontecimentos ganhassem peso desproporcional.


Quando esse movimento foi notado, não surgiu a urgência de mudar. Houve apenas uma interrupção sutil. Menos antecipação. Menos ensaio mental. Menos necessidade de entender tudo imediatamente. E, com isso, algumas situações passaram a seguir seu curso sem se tornarem problemas. Não porque tivessem sido resolvidas, mas porque não encontraram a mesma quantidade de energia para se expandir.


Com o passar do tempo, certas coisas começaram a se organizar sozinhas. Decisões ficaram menos confusas. Reações perderam intensidade. O corpo respondeu com menos defesa, como se não precisasse mais estar o tempo todo preparado. Nada disso aconteceu de forma brusca. A vida seguiu acontecendo, com suas demandas e imprevistos, mas havia mais espaço entre o estímulo e a resposta.


Só depois ficou claro que não se tratava de aprender algo novo ou de aplicar uma técnica diferente. O que havia mudado era a quantidade de interferência. Aquilo que antes era empurrado o tempo todo passou a ser sustentado com mais silêncio. E, nesse silêncio, muitas coisas simplesmente não se tornaram aquilo que costumavam ser.


Nem tudo precisa ser resolvido. Algumas coisas apenas deixam de crescer quando não são alimentadas do mesmo jeito.

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