A Lei da Reciprocidade: O movimento de transbordar ao Absoluto
Eu penso
que reciprocidade não é sobre troca.
Não é sobre dar.
Não é sobre doar o que sobra.
Reciprocidade
é sobre partilhar
Sobre transbordar.
É reconhecer que nada é realmente meu, mas que tudo me transborda, e o
que me transborda, precisa seguir adiante. E isso necessita de pratica, é um exercício
diário e um pouco forçado e incômodo para nosso ego.
A
reciprocidade nasceu do instinto ancestral de equilíbrio social.
Lá atrás, quando o homem vivia em tribos, o grupo só sobrevivia se o dar e o
receber fossem equilibrados.
Então o cérebro criou um alarme interno: ele apita quando alguém dá demais, ou
quando recebe demais.
Chamamos
esse alarme de culpa, gratidão ou dívida emocional.
Ele ainda pulsa, mesmo no século XXI:
Alguém me
elogia, sinto vontade de retribuir.
Alguém me
dá um presente, sinto meio que “devendo”.
Alguém me
escuta com atenção, quero ouvir também.
Mas o
ponto é: a reciprocidade é uma moeda de poder invisível.
Quem entende como ela circula, cria laços.
Quem a manipula, cria prisões e frustrações.
No campo
da terapia, da mentoria, da liderança espiritual, muitos caem em uma armadilha
sutil:
A de achar que precisam ser o “salvador” do outro.
Puxam o outro
para perto, colam, cercam de respostas, buscam solução para todos os problemas do
outro...
E, sem perceber, criam dependência.
O outro,
que no início se sente acolhido, logo se sente afogado.
Recebe tanto, que não sabe como devolver.
E, inconscientemente, se afasta.
Porque o
excesso de “cui-dar” não é dar nem doar, não é amor, é *controle inconsciente
banhado de generosidade.*
E o ser humano foge daquilo que o faz se sentir em dívida.
Reciprocidade
não é expectativa, nem doação, não é troca,
É soltar, transbordar... é um exercício como já disse, dói no ego...
Reciprocidade
é como devolver ao Absoluto algo que eu já recebo gratuitamente todos os
dias:
o ar, a luz, o tempo, o silêncio, as portas que se abrem e até as que se
fecham....
Eu transbordo,
não para preencher o outro, mas para permitir que o outro transborde à sua
própria maneira.
Quando há essa liberdade, a energia circula leve e livre.
E tudo se fortalece: o vínculo, o meio, a própria vida.
A
reciprocidade pode curar, mas também pode manipular.
Robert Cialdini já mostrou em seu livro *as armas da persuasão
Quando algo me é dado de “grátis” para me colocar em dívida.
Ofereço “um favor” que não me custa nada, mas abro caminho para te vender o meu
“pacote iluminado”. Palestras gratuitas que
na saída tem um Kit super ultra mega power iluminado para resolver todos os meus
problemas, ofereço um atendimento gratuito mas que no final rola um convite
para o meu pacote ultra vip...
Quando a
reciprocidade é usada para chegar no inconscientemente, ela vira armadilha.
Quando usada no modo consciência, ela vira alquimia social.
O segredo
não é fazer o outro querer retribuir.
É fazer o outro querer levar adiante.
Repassar.
Transformar o gesto em corrente.
Num plano
metafisico, a reciprocidade não é entre pessoas, é entre eu e o meio.
Eu procuro manifestar boa vontade, gratidão, generosidade… e o meio ressona
como eu manifesto...
A vida
começa a me tratar diferente.
Encontro vaga para parar meu carro fácil.
Cruza com pessoas de bem com a vida no banco, no supermercado, na entrevista de
emprego.
A fila flui.
O acaso conspira.
Não porque
eu “mereci”, mas porque eu afinei minha vibração com a frequência da
abundância.
Mas há
um mistério nisso tudo:
Se eu solto com intenção de retorno, o fluxo trava.
O Universo é sensível a dissonância.
Se há desconforto no ato, é porque a mente ainda está negociando.
A
reciprocidade metafísica acontece quando o gesto é puro.
Quando não se dá, nem se doa, se transborda.
Porque o nosso ser precisa extravasar.
E, paradoxalmente, é exatamente aí que tudo começa a voltar.
Reciprocidade
não é contabilidade emocional.
Nem caridade performática.
É um movimento espiralado de boa vontade.
Eu
trabalho minhas próprias águas (crenças) internas, até que o fluir se torne
natural.
E então o meio, inevitavelmente passa a refletir meu estado interno.
Porque o meio sempre será extensão das nossas atitudes. (o que esta fora é o
que esta dentro)
O erro é
pensar que reciprocidade é “um por um”.
Não é.
É “um por tudo”.
Quando o
soltar é leve, o gesto se expande além de mim.
O benefício toca o inconsciente coletivo.
A manifestação que eu libero se converte em campo fértil.
Reciprocidade não é uma lei social.
É uma dança entre o que eu sou e como o Universo ressona.
A vida não dá o que você pede, mas o que você manifesta.
A reciprocidade é o espelho onde teu SER expande.
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