Remédio é a cura ou uma remendo?
Minha visão sobre os remédios sempre foi muito parecida com uma cena simples e cotidiana: uma vasilha embaixo de uma goteira.
Sabe quando está tudo calmo, sem chuva, e a gente olha pro telhado e pensa: “Tá tudo certo”?
Pois é… a estrutura parece firme enquanto o céu está azul. Mas basta cair a primeira chuva ou soprar um vento mais forte que as brechas escondidas aparecem, os ventos balançam as estruturas. A água procura caminho, e encontra.
Nesse instante a gente corre, quase instintivamente, e coloca uma vasilha embaixo. É um gesto imediato, quase automático: conter o dano, evitar que a água estrague tudo.
Esse é o remédio. Uma solução emergencial, paliativa, que não corrige a rachadura… apenas retarda o colapso.
Só que existe uma armadilha sutil, meio que parapsicológica nesse gesto: com o tempo, a vasilha vira parte da casa. A gente se acostuma com a goteira.
Começa com um potinho, depois vira um balde, uma bacia… e quando vê, o teto já está cedendo.
“A rachadura nunca se cura sozinha. Telhado não cicatriza.”
E é exatamente assim que percebo muitos dos nossos remédios, sejam eles químicos, emocionais ou espirituais. Eles mostram onde a casa interna está furada.
São como alarmes: “Ei, olha pra cá, tem infiltração!”.
Mas o que fazemos? Tapamos o barulho do alarme e seguimos a vida como se o telhado fosse se restaurar por vontade própria.
Mexer na estrutura na raiz, exige coragem. Porque consertar o telhado bagunça a casa inteira. Precisa subir na escada, tirar telha, mexer no que estava acomodado. Fica feio, desconfortável, exige tempo e esforço.
E a maioria de nós prefere uma vasilha silenciosa a uma obra barulhenta.
Só que essa escolha tem preço.
Mais cedo ou mais tarde, a estrutura cede.
Quando penso metafisicamente sobre saúde, seja do corpo, da mente ou da vida, vejo os remédios não como vilões, mas como mensageiros. Eles não vieram para adoecer ninguém, nem vieram para ser muletas eternas, vieram para apontar: “Aqui há uma brecha.”
A pergunta é: vamos começar usando a vasilha… ou esperar o teto cair?
Porque a verdade é que a vasilha não é a cura.
O caminho da cura está na goteira, é necessário tomar consciência disso e caminha na direção dessa goteira, mesmo que isso signifique conviver um tempo com poeira, barulho e caos.
E para isso é necessário decisão e ousadia para encarar o caos e ir em busca de reparar o telhado..
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