Sócrates, o parteiro de ideias

Sócrates costumava comparar sua filosofia ao ofício de sua mãe, que era parteira. Essa não foi uma metáfora qualquer, foi um golpe de genialidade.


Sua mãe ajudava mulheres a dar à luz. Ele, por sua vez, dizia que ajudava almas a parirem ideias. Não oferecia respostas prontas. Não era médico das certezas, era parteiro da mente. Seu método, a maiêutica, consistia em provocar, questionar, tensionar até que a verdade, que já estava dentro da pessoa, nascesse.


Enquanto muitos tentavam “ensinar” ideias como quem deposita moedas num cofre, Sócrates fazia o oposto: desenterrava o que estava escondido dentro de cada um. Ele acreditava que a sabedoria não vem de fora, mas de dentro, e que seu papel era apenas auxiliar nesse parto intelectual.


Em outras palavras:

“Assim como a mãe dele ajudava corpos a nascerem, Sócrates ajudava consciências a despertarem.”

E aqui entra a Lei da Correspondência, um dos princípios do hermetismo:

“O que está em cima é como o que está embaixo; o que está embaixo é como o que está em cima.”

A mãe partejava corpos. Ele partejava consciências.

O nascimento no plano físico correspondia ao nascimento no plano mental e espiritual.

A sala de parto e a ágora eram dois templos de nascimento:

– Um trazia crianças ao mundo.

– O outro trazia verdades à luz.


Sócrates, consciente ou não, aplicava a Lei da Correspondência de forma viva e radical.

Ele percebia que a realidade visível e o mundo invisível são espelhos que se respondem. O gesto humano carrega um código cósmico.

A sabedoria não mora nas nuvens, ela se revela nos gestos simples, como o ofício de uma parteira.


A verdade é que, ninguém pode sair de um estágio de consciência se esse novo estágio ainda não tiver sido gestado dentro dela. 

Não se desperta de fora pra dentro, desperta-se de dentro pra fora.

O mestre não empurra. Ele provoca. O terapeuta não arrasta. Ele cria espaço.  O mundo não impõe. Ele espelha.


A expansão de consciência só acontece quando a semente interna está madura para germinar. 

Até lá, qualquer tentativa de “forçar” é como tentar fazer uma flor abrir no grito, no máximo, você a machuca.

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