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Mostrando postagens de dezembro, 2025

Leitura Terapêutica Indireta

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  Aprendi cedo a trabalhar com leitura terapêutica indireta. Talvez por isso algumas pessoas reclamem dos textos longos. 😂 Não é falta de objetividade. É excesso de efeito com sentido. Leitura terapêutica indireta não ensina. Ela acorda. Milton Erickson, hipnoterapeuta naturalista, já dizia  mesmo quando não dizia: o inconsciente não aprende por instrução. Ele se move por reconhecimento. Por isso, se em algum momento você sentir vontade de continuar lendo sem saber exatamente por quê, ou sentir vontade de abandonar a leitura pelo mesmo motivo; não é curiosidade intelectual, nem preguiça intelectual. É algo em você respondendo. Leitura terapêutica indireta não entrega algo novo. Ela toca algo antigo demais para ter nome. Algo que já estava aí, apenas esperando um pretexto para emergir. Ela não concorre com a leitura informativa, que organiza conceitos, nem com a leitura motivacional, que tenta empurrar estados emocionais goela abaixo. Aqui não se empurra nada. Aqui algo se des...

O Xamã e a Alquimia do Invisível

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  O xamã aprendeu cedo a caminhar pelos corredores onde os alquimistas falavam de cura como quem comenta o clima: leveza ensaiada, pose calculada e olhos treinados para parecerem profundos. As palavras brilhavam, as roupas também. Mas a trilha não enganava quem sabia farejar verdade. Ele percebia o cheiro doce demais, não era sabedoria, era vaidade polida. Oito partes de ritual, duas partes de intenção real. Com o tempo, afastou-se das rodas barulhentas e seguiu para dentro da mata, onde ninguém precisava provar nada. Ali descobriu o que realmente acontece quando um alquimista quer mudança de verdade: lapidação não é adorno, é corte. E quando existe essência, o processo é cru e direto. Oito partes de casca indo embora, duas partes de núcleo reluzindo. Ele via isso nos poucos que tinham coragem: desmontando personagens, largando fachadas, soltando defesas até restar apenas o que sempre foi puro. Mas também encontrou o outro tipo de alquimista, o que chegava cheio de discursos e vazi...

Cura não é apagar sintomas. É entender o caminho.

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  Ao longo da minha jornada no campo das dores físicas, inevitavelmente adentrei o território metafísico . Não por crença, nem por moda espiritual, mas por esgotamento do óbvio. Quando você toca corpos por anos, escuta tecidos, observa padrões de dor que não obedecem à anatomia clássica, torna-se impossível sustentar a fantasia de que o ser humano é apenas músculo, osso e bioquímica bem-comportada. A dor ensina. E ensina rápido. Ela revela que o corpo fala quando a consciência se cala. Como quase todos, no início busquei respostas nos métodos. Técnica. Protocolo. Nome sofisticado. Curso novo. A promessa de que aquele método seria a chave. Não foi. Nenhum foi sozinho. Cada nova abordagem funcionava por um tempo… até parar. Não porque o método fosse ruim, mas porque o corpo não é ingênuo e a consciência não gosta de atalhos. Foi aí que a ficha caiu: cura não é método. Cura é processo. Cura é ecossistema. A medicina alopática é brilhante quando o problema é mecânico, químic...

Cura não é milagre. É manutenção.

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  O corpo não quebra do nada — ele cansa de avisar Vou falar do jeito mais simples possível. Sem incenso. Sem promessa milagrosa. Sem frase bonita pra enganar dor antiga. Sabe quando o carro começa a fazer um barulho estranho? Não parou. Ainda anda. Dá pra ir empurrando. Aí você aumenta o som do rádio. Fecha o vidro. Finge que não ouviu. Até o dia em que o carro para de vez no meio da estrada. O problema não nasceu naquele dia. Ele só foi ignorado tempo demais . Com o corpo é igual. Só que a gente chama de “doença” pra parecer algo mais elegante do que descuido acumulado . 👉 comunidade metafisica  O corpo avisa. A gente é que se faz de surdo Primeiro vem um cansaço estranho. Depois uma dorzinha que “vai e volta”. Depois um travamento. Depois uma crise. E a gente responde assim: “Ah, deve ser estresse.” “É a idade.” “Depois eu vejo isso.” Até virar: “Agora é crônico.” “Não tem mais o que fazer.” Tem sim. Só que o preço ficou mai...

DEUS NOS VÊ NO DESERTO

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Ela não ficou órfã porque os pais morreram. Ficou órfã porque o mundo decidiu que ela não valia nada. Grávida, nova, sem rumo… o marido e a própria família deram as costas. Rejeitaram. Desprezaram. Tiraram ela do lugar de filha, de esposa, de gente. Jogaram pra fora da vida deles como se fosse um peso. Quando teve o bebê, voltou pra casinha montada com carinho, acreditando que finalmente teria um porto. Nada. O marido passou uma noite ali, todo feliz com ela e o filho… e no dia seguinte desapareceu. Sem explicação. Sem arrependimento. Sem assumir nada. Voltou pra casa da mãe como se nada tivesse acontecido — e seguiu a vida dele. Nem pensão. Nem ajuda. Nem uma mão estendida. Ela ficou sem colo. Sem rede. Sem ninguém pra segurar o filho enquanto ela respirava um pouco. O mundo fez dela uma órfã. E quando alguém é tratado como ninguém, acaba acreditando nisso. Ela quase despencou: qualquer cara da rua queria usar, descartar, terminar de destruir o restinho de valor que sobrava nela. Era ...

Vínculos Que Reparam: A Ciência Oculta da Regeneração Social

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  Quando abraços viram enzimas: como vínculos humanos podem “reprogramar” inflamação e reparo celular Resumo Há evidência crescente de que o ambiente social — qualidade de laços, sensação de suporte e isolamento social — ativa vias neurais e endócrinas que regulam expressão gênica em células imunes, amplificando ou atenuando programas pró-inflamatórios e, possivelmente, influenciando mecanismos de reparo celular e envelhecimento biológico. Essa área emergente chama-se genômica social humana e intersecta epigenética, oxitocina, estresse crônico e medidas de inflamação sistêmica. Aqui eu sintetizo o que já sabemos, o que ainda é hipótese plausível e como isso corta direto para práticas terapêuticas e filosóficas. PLOS+1 1. O mapa — do social ao genômico Pesquisas mostram um padrão recorrente: situações sociais adversas (isolamento, rejeição crônica, exclusão) tendem a disparar um padrão transcricional conservado — chamado Conserved Transcriptional Response to Adversit...