Leitura Terapêutica Indireta

 


Aprendi cedo a trabalhar com leitura terapêutica indireta.

Talvez por isso algumas pessoas reclamem dos textos longos. 😂

Não é falta de objetividade.

É excesso de efeito com sentido.


Leitura terapêutica indireta não ensina.

Ela acorda.


Milton Erickson, hipnoterapeuta naturalista, já dizia  mesmo quando não dizia:

o inconsciente não aprende por instrução.

Ele se move por reconhecimento.


Por isso, se em algum momento você sentir vontade de continuar lendo sem saber exatamente por quê, ou sentir vontade de abandonar a leitura pelo mesmo motivo;

não é curiosidade intelectual, nem preguiça intelectual.

É algo em você respondendo.


Leitura terapêutica indireta não entrega algo novo.

Ela toca algo antigo demais para ter nome.

Algo que já estava aí,

apenas esperando um pretexto para emergir.


Ela não concorre com a leitura informativa,

que organiza conceitos,

nem com a leitura motivacional,

que tenta empurrar estados emocionais goela abaixo.


Aqui não se empurra nada.

Aqui algo se desloca.


Sutil.

Lateral.

Quase invisível.


O texto não diz o que pensar.

Ele cria um campo.

E dentro desse campo, o leitor começa a se escutar —

às vezes contra a própria vontade.


Nada se apresenta como intervenção.

Não há convite explícito.

Não há pedido de adesão.

Não há apelo à concordância.


Isso não é descuido.

É estratégia terapêutica.


Quando você não se sente conduzido,

suas defesas cognitivas relaxam.

E é exatamente nesse intervalo

que algo começa a trabalhar.


Não no nível da ideia.

Mas na forma como você:


– sustenta a atenção sem recompensa imediata

– convive com um leve desconforto sem fugir

– tolera ambiguidades sem fechá-las rápido demais

– reconhece ressonâncias internas sem precisar explicá-las


A leitura vira um ensaio silencioso de autorregulação psíquica.


O efeito raramente é imediato.

Este texto não explode — infiltra.


Ele fica em suspensão.

Volta horas depois.

Aparece no meio de uma conversa qualquer.

Influencia uma decisão sem pedir crédito.


Isso não é sugestão direta.

É associação simbólica em estado bruto.


Por isso, nem todo leitor permanece.

Leitura terapêutica indireta exige disponibilidade psíquica.

Quem não tem, abandona.

Quem tem… sente vontade de voltar 

mesmo sem saber exatamente o que procura.


Não se trata de convencer.

Nem de transformar abruptamente.


Trata-se de criar pequenas fissuras

em padrões rígidos de pensamento.


E fissuras, quando não são tapadas às pressas,

com o tempo, mudam estruturas.


Nesse ponto, o texto deixa de ser artigo.

Vira dispositivo.


Ele não orienta.

Não resolve.

Não fecha.


Ele abre.

E se você continua lendo até aqui,

alguma coisa já começou a trabalhar 

independente do que você ache sobre isso.


O resto…

continua atuando

muito depois

do ponto final.


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